segunda-feira, 16 de abril de 2007

Retrospectiva - novembro de 2006

Cesta vazia

Prateleiras vazias, queda no número de fornecedores, redução do quadro de funcionários e dívidas, muitas dívidas... Esta foi a radiografia da Cesta do Povo denunciada pelo jornal A Tarde nos meses de outubro e novembro de 2006. A situação crítica da empresa – que já vinha sendo sentida pelos seus fornecedores, com os quais mantinha uma dívida de cerca de R$ 80 milhões, e principalmente pelo povo baiano, diante da falta de produtos – foi parar nas páginas dos jornais após a surpreendente derrota que o PFL sofreu para o PT na disputa pelo Governo da Bahia em 2006.

Ao longo de seus 27 anos de existência, a Cesta do Povo, que por muito tempo foi a “menina dos olhos” do grupo ligado ao senador Antônio Carlos Magalhães, mantinha uma relação de dependência com o governo do Estado, trabalhando com o desequilíbrio financeiro e tendo seu déficit operacional coberto por recursos repassados pelo governo, o que deixou de ser feito a partir de 2001, segundo explicou ao A Tarde Omar Brito, então presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra a rede de abastecimento da Cesta do Povo. O fato, segundo ele, gerou o acúmulo dos R$ 80 milhões em dívidas.

Em matéria divulgada pelo jornal em 18 de novembro, o então governador Paulo Souto (PFL) não quis se pronunciar sobre o assunto, se limitando a reconhecer que a empresa trabalhava com o desequilíbrio financeiro. Vitorioso nas eleições de 2006, Jaques Wagner (PT) alegou que só se pronunciaria sobre o tema depois que sua equipe de transição estivesse concluído relatório sobre a situação do governo e da Cesta do Povo.

O Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), no entanto, afirmou que a relação de dependência da Ebal com o governo estadual vinha sendo questionada desde 2003, mas a Secretaria da Fazenda (Sefaz) desmentiu que a empresa fosse dependente, e negou qualquer transferência de recursos financeiros pelo Estado para pagamento de pessoal ou custeio em geral, “a não ser para aumento de capital”.

Na edição de 26 de novembro do A Tarde, Paulo Souto reconheceu que a Cesta do Povo vivia uma situação delicada, com dívidas de até R$ 300 milhões, e que o problema da empresa seria estrutural. O então governador atribuiu ao abastecimento das 424 lojas da Cesta, 379 delas espalhadas pelo interior do Estado, a condição de grande causador do desequilíbrio. Para ele, a solução do problema não seria nenhum “bicho-de-sete-cabeças”. Mas acabou deixando essa “solução” como herança para o novo governo...

Saudosismo

Enquanto as lideranças políticas buscavam explicações para a situação da Ebal e da Cesta do Povo, a população baiana, principalmente a mais carente, se queixava do esvaziamento da Cesta. Repórteres das sucursais do A Tarde produziram matérias mostrando principalmente a “dívida” que a Cesta do Povo mantinha com seus consumidores, que a acusaram de não cumprir mais o seu papel social. Até das longas filas que enfrentavam nos “bons tempos” da empresa, eles afirmaram sentir saudades... A falta de mercadorias e os preços “salgados” dos poucos produtos que continuavam a ser comercializados afastaram a população das lojas, e muitas delas chegaram a fechar as portas. E, diante de tantos problemas, a “cesta do povo”, assim como a Cesta, ficou ainda mais vazia...

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