O mês de fevereiro começou com a publicação, no dia 03, pelo jornal A Tarde, de uma coluna de Amílcar Baiardi sobre a crise na Ebal. Ele destacava que a área varejista não devia mais ser preocupação do Estado e sim construir formas de inserir os pequenos agricultores nesse mercado. O mês prometia render boas discussões... E rendeu.
Em 14 de fevereiro, o jornal Tribuna da Bahia publicou um balanço dos 40 primeiros dias do governo Jaques Wagner, avaliados como positivo. Na ocasião, o governador falou sobre os problemas na Ebal. “Estamos fazendo um trabalho corajoso para revitalizar e recuperar a empresa e já começamos a enxugar a sua estrutura. Para salvá-la, vamos ter que usar um tratamento empresarial”, afirmou. No dia seguinte, 15, a Tribuna da Bahia publicou nova matéria, dessa vez anunciando a suspensão das atividades em 425 lojas da Cesta do Povo, em todo o estado, durante pelo menos 60 dias.
O A Tarde, de mesma data, trouxe mais detalhes sobre o processo: as 425 lojas da rede Cesta do Povo, instaladas em 356 municípios baianos, foram fechadas. Só depois de dois meses, 186 delas, escolhidas entre as que ainda conseguiam dar algum lucro, como a do Ogunjá, as que nem davam lucro e nem prejuízo, como a de São Joaquim, e as que davam menos prejuízo, reabririam com um novo formato. Chamavam atenção os dados de que o novo governo teria recebido um legado de R$ 161 milhões de dívidas trabalhistas e R$ 82,4 milhões com fornecedores.
O Diário Oficial da Bahia, também do dia 15, trazia um discurso mais amenizador, com a manchete “Ebal será reestruturada e 186 lojas da Cesta do Povo reabrem após 60 dias”. O Correio da Bahia nada publicou.
No final do mês de fevereiro, o A Tarde traz de volta o nome da Ebal para suas manchetes anunciando que o projeto Domingueiras, apoiado pela Empresa Baiana de Alimentos, teria também suas atividades suspensas pela falta do patrocínio.
Leia também:
13 de fev: Wagner fala de desafios do governo durante o programa Balanço Geral
14 de fev: Ebal será reestruturada e 186 lojas da Cesta do Povo reabrirão após 60 dias
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Ex-diretor nega irregularidades
O diretor da Organização do Auxílio Fraterno, Marcos Paiva, afirma que não há irregularidade alguma na parceria feita entre a OAF e a Ebal Jornal A Tarde, Política
20 de abril de 2007
pg 11
Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br
O ex-diretor administrativo da Ebal Geraldo Oliveira, contestou ontem as suspeitas lançadas contra ele na sessão de quarta-feira da CPI da Assembléia Legislativa que apura denúncias de improbidade administrativa na empresa, que administra as lojas Cesta do Povo.
Parlamentares petistas citaram seu nome e de outros três ex-funcionários da empresa – Josemário Galvão, Leôncio Cardoso Neto e René dos Santos Gonçalves – como possíveis beneficiários das supostas irregularidades apuradas pela Assembléia.
As denúncias feitas pelos petistas foram baseadas em dossiê anônimo enviado aos parlamentares, que esperam averiguar as acusações com o desenrolar da CPI.
Geraldo Oliveira entregou uma carta a A TARDE, na qual garante pôr à disposição da CPI seus sigilos telefônicos, bancários e fiscais, na certeza de que a abertura dos sigilos demonstrará sua “absoluta probidade”. Oliveira afirmou que, pelo que tomou de conhecimento da sessão, nenhuma acusação direta a ele foi feita pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, a quem conhece desde a década de 1970.
“Restou, então, a dúvida quanto a ter havido interpretação distorcida, proposital ou ocasionalmente, de suas palavras, no sentido de me prejudicar ou de agradar a pessoas ou grupos que não identifico”, escreveu Oliveira em sua carta. “Conhecendo, como conheço Dr.
Reub, sei que ele não faria insinuações ou acusações baseadas em dossiê anônimo, o que seria leviandade”, continuou.
Na sessão de quarta-feira, o presidente da Ebal, respondendo a um questionamento de Yulo Oiticica (PT), disse que fez retornar Oliveira ao Desenbahia e que Josemário havia sido demitido ainda na gestão anterior, recebendo R$400 mil a título de FGTS. E que demitiu os outros dois citados pelo deputado por informações de que eles não estariam adequados ao perfil da nova gestão da Ebal.
Questionado após a sessão, Celestino confirmou ter ouvido denúncias anônimas contra os quatro citados, mesma postura adotada por Oiticica, que citou os nomes mas não apresentou elementos para a suspeita. Oliveira recusouse a dar entrevista, apenas declarou que respeita os colegas com quem trabalhou e que não quer passar por bode expiatório pela crise da Ebal.
* Outros ex-diretores da Ebal que foram citados na CPI foram procurados por ATARDE. A reportagem deixou recados não retornados na casa de Josemário Galvão – sua empregada atendeu ao telefone. O telefone de René Gonçalves, que consta emsua ficha funcional, é o da Ebal de Feira de Santana, onde atendentes informaram apenas que ele residiria em Cruz das Almas e que não sabiam seu contato atual. O telefone de Leôncio Cardoso Neto – informado em sua ficha funcional – não respondia. A TARDE teve acesso a parte das fichas funcionais por volta das 17h30. A edição foi fechada às 20 horas.
OAF diz que contratos são regulares
O diretor-executivo da Organização do Auxílio Fraterno (OAF) Marcos Paiva disse, ontem, que o contrato entre a entidade e a Ebal teve a regularidade atestada pela assessoria jurídica da empresa.
Pelo contrato, a OAF seria responsável por obras de reforma e manutenção das lojas Cesta do Povo em todo o Estado e pela intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O contrato começou em 2003, no valor de R$ 100 mil por mês e, ao ser renovado anualmente, alcançou o valor de R$ 240 mil mensais (cerca de R$ 13 milhões no ano).
Paiva declarou que foi o ex-diretor de engenharia da Ebal, Leôncio Neto, quem procurou a OAF e ofereceu a parceria. De acordo com Paiva, a OAF vende produtos e serviços como forma de financiar programas de atendimento a jovens e crianças em situação de risco (que custaram, ano passado, R$ 8 milhões). A entidade, inclusive, tem contrato de manutenção predial com a Secretaria Municipal da Educação ( Smec) no valor, segundo ele, de R$ 450 mil mensais. Paiva admitiu que terceirizava os serviços de manutenção a outras empreiteiras, sem fazer licitação, ficando com 5% do recurso pago pela Ebal pela intermediação.
Até o fechamento da edição o diretor não enviou cópias de notas fiscais e relatórios de obras executadas. ( F.O.)
20 de abril de 2007
pg 11
Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br
O ex-diretor administrativo da Ebal Geraldo Oliveira, contestou ontem as suspeitas lançadas contra ele na sessão de quarta-feira da CPI da Assembléia Legislativa que apura denúncias de improbidade administrativa na empresa, que administra as lojas Cesta do Povo.
Parlamentares petistas citaram seu nome e de outros três ex-funcionários da empresa – Josemário Galvão, Leôncio Cardoso Neto e René dos Santos Gonçalves – como possíveis beneficiários das supostas irregularidades apuradas pela Assembléia.
As denúncias feitas pelos petistas foram baseadas em dossiê anônimo enviado aos parlamentares, que esperam averiguar as acusações com o desenrolar da CPI.
Geraldo Oliveira entregou uma carta a A TARDE, na qual garante pôr à disposição da CPI seus sigilos telefônicos, bancários e fiscais, na certeza de que a abertura dos sigilos demonstrará sua “absoluta probidade”. Oliveira afirmou que, pelo que tomou de conhecimento da sessão, nenhuma acusação direta a ele foi feita pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, a quem conhece desde a década de 1970.
“Restou, então, a dúvida quanto a ter havido interpretação distorcida, proposital ou ocasionalmente, de suas palavras, no sentido de me prejudicar ou de agradar a pessoas ou grupos que não identifico”, escreveu Oliveira em sua carta. “Conhecendo, como conheço Dr.
Reub, sei que ele não faria insinuações ou acusações baseadas em dossiê anônimo, o que seria leviandade”, continuou.
Na sessão de quarta-feira, o presidente da Ebal, respondendo a um questionamento de Yulo Oiticica (PT), disse que fez retornar Oliveira ao Desenbahia e que Josemário havia sido demitido ainda na gestão anterior, recebendo R$400 mil a título de FGTS. E que demitiu os outros dois citados pelo deputado por informações de que eles não estariam adequados ao perfil da nova gestão da Ebal.
Questionado após a sessão, Celestino confirmou ter ouvido denúncias anônimas contra os quatro citados, mesma postura adotada por Oiticica, que citou os nomes mas não apresentou elementos para a suspeita. Oliveira recusouse a dar entrevista, apenas declarou que respeita os colegas com quem trabalhou e que não quer passar por bode expiatório pela crise da Ebal.
* Outros ex-diretores da Ebal que foram citados na CPI foram procurados por ATARDE. A reportagem deixou recados não retornados na casa de Josemário Galvão – sua empregada atendeu ao telefone. O telefone de René Gonçalves, que consta emsua ficha funcional, é o da Ebal de Feira de Santana, onde atendentes informaram apenas que ele residiria em Cruz das Almas e que não sabiam seu contato atual. O telefone de Leôncio Cardoso Neto – informado em sua ficha funcional – não respondia. A TARDE teve acesso a parte das fichas funcionais por volta das 17h30. A edição foi fechada às 20 horas.
OAF diz que contratos são regulares
O diretor-executivo da Organização do Auxílio Fraterno (OAF) Marcos Paiva disse, ontem, que o contrato entre a entidade e a Ebal teve a regularidade atestada pela assessoria jurídica da empresa.
Pelo contrato, a OAF seria responsável por obras de reforma e manutenção das lojas Cesta do Povo em todo o Estado e pela intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O contrato começou em 2003, no valor de R$ 100 mil por mês e, ao ser renovado anualmente, alcançou o valor de R$ 240 mil mensais (cerca de R$ 13 milhões no ano).
Paiva declarou que foi o ex-diretor de engenharia da Ebal, Leôncio Neto, quem procurou a OAF e ofereceu a parceria. De acordo com Paiva, a OAF vende produtos e serviços como forma de financiar programas de atendimento a jovens e crianças em situação de risco (que custaram, ano passado, R$ 8 milhões). A entidade, inclusive, tem contrato de manutenção predial com a Secretaria Municipal da Educação ( Smec) no valor, segundo ele, de R$ 450 mil mensais. Paiva admitiu que terceirizava os serviços de manutenção a outras empreiteiras, sem fazer licitação, ficando com 5% do recurso pago pela Ebal pela intermediação.
Até o fechamento da edição o diretor não enviou cópias de notas fiscais e relatórios de obras executadas. ( F.O.)
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Balanço financeiro da Ebal aponta prejuízo de R$ 620 mi
Diário Oficial da Bahia, Agricultura
19 de abril de 2007
pg 5
Resultado inclui passivo oculto de R$ 200 mi, dos quais R$ 178 mi se referem a dissídios coletivos não cumpridos
O prejuízo total de R$ 620 milhões acumulado entre 1997 e 2006 pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas da Cesta do Povo, inclui um passivo oculto de R$ 200 milhões, dos quais R$ 178 milhões são referentes a dissídios coletivos não cumpridos. A Ebal não pagava os aumentos acordados com os sindicatos.
O resultado de um balanço financeiro completo, realizado pela nova administração, foi apresentado ontem pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, em sua explanação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembléia Legislativa para apurar a causa da crise financeira da empresa.
Leia matéria na íntegra no Diário Oficial da Bahia.
Veja fotos. Clique aqui!
19 de abril de 2007
pg 5
Resultado inclui passivo oculto de R$ 200 mi, dos quais R$ 178 mi se referem a dissídios coletivos não cumpridos
O prejuízo total de R$ 620 milhões acumulado entre 1997 e 2006 pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas da Cesta do Povo, inclui um passivo oculto de R$ 200 milhões, dos quais R$ 178 milhões são referentes a dissídios coletivos não cumpridos. A Ebal não pagava os aumentos acordados com os sindicatos.
O resultado de um balanço financeiro completo, realizado pela nova administração, foi apresentado ontem pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, em sua explanação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembléia Legislativa para apurar a causa da crise financeira da empresa.
Leia matéria na íntegra no Diário Oficial da Bahia.
Veja fotos. Clique aqui!
Marcadores:
Cesta do Povo,
CPI,
Ebal,
Reub Celestino
Quatro acusados na CPI da EBAL
Jornal A Tarde, Política
19 de abril de 2007
pg 16
Foto: Apesar de evitar acusações concretas, o depoimento de Reub Celestino evidenciou a grave crise da Ebal.
Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br
Os primeiros nomes de responsáveis por supostas irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal, que administra as lojas da Cesta do Povo) foram tornados públicos ontem durante depoimento do presidente da empresa, Reub Celestino, à CPI criada pela Assembléia Legislativa para apurar denúncias de corrupção na empresa durante os governos do PFL (1991-2006). Celestino tentou se esquivar, mas acabou jogando os holofotes sobre quatro ex-funcionários da empresa: Geraldo Oliveira, ex-diretor administrativo, José Mário Galvão, ex-diretor de operações; Leôncio Cardoso Neto, ex-gerente de Engenharia e manutenção, e um homem de prenome René, que trabalhava no Centro de Distribuição da Ebal em Feira de Santana. Celestino também levantou suspeitas sobre contratos para fretes (transporte de mercadorias) e para os contratos de manutenção firmados com a Organização do Auxílio Fraterno (OAF), ONG que foi dirigida pelo padre Clodoveo Piaza, ex-secretário estadual de Combate à Pobreza.
A TARDE não localizou os ex-diretores da Ebal até o fechamento da edição. A OAF agendou para hoje entrevista com objetivo de se pronunciar. O novo governo afirma que encontrou a Ebal praticamente falida, com estoques zerados, dívidas que somam R$ 300 milhões e prejuízo acumulado de R$ 620 milhões. Os nomes surgiram a partir de um questionamento do deputado Yulo Oiticica (PT), que perguntou se os quatro eram funcionários da Ebal e que cargos ocupavam.Celestino disse que devolveu Geraldo Oliveira para o Desenbahia – órgão ao qual era oficialmente vinculado –, que José Mário Galvão foi demitido em dezembro, ainda na gestão passada, e recebeu R$ 400 mil de FGTS antes do início do novo governo, quando a equipe de transição já anunciava que a empresa estava atolada em cerca de R$ 300 milhões em dívidas. Celestino disse ainda que demitiu Leôncio Neto e René pelas “informações de que ambos não se enquadrariam no novo perfil de administração da empresa”.
DOSSIÊ – Os quatro nomes citados são ligados ao ex-presidente da empresa Omar Brito, que será convocado para depor na quarta-feira. Os quatro são acusados de enriquecimento ilícito em um dossiê anônimo. O texto foi entregue ao PT e à direção da Ebal no início deste ano. Celestino confirmou que as denúncias contra os ex-funcionários são anônimas, mas não relatou casos concretos. Mesma postura foi adotada por Yulo Oiticica. E Celestino seguiu na mesma linha – de levantar suspeitas mas sem se aprofundar em acusações – quando se referiu à OAF e aos contratos de frete. Disse que a OAF tinha um contrato de R$ 100 mil por mês em 2003 e que este contrato foi aditivado para R$ 240 mil nos anos seguintes.“Não entendo por que a OAF recebeu R$ 13 milhões por ano”, disse.
Segundo Celestino, a OAF tinha dois contratos com a Ebal. O primeiro primeiro era de manutenção e pequenas reformas nos prédios das lojas Cesta do Povo. O segundo era para a intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O presidente da Ebal voltou a falar em uso de técnicas de contabilidade para esconder despesas e prejuízos da empresa. Um dos artifícios envolveria a OAF, já que os recursos gastos nas obras foram parar na rubrica de “imobilização de patrimônio” (investimentos), mesmo com as obras sendo executadas em prédios alugados e não-pertencentes à empresa. Antes da OAF ser contratada, contrato semelhante foi firmado entre a Ebal e o Liceu de Artes e Ofícios.
Sobre os pagamentos de fretes – citado pelo governador Jaques Wagner (PT) como exemplo de irregularidades no discurso de reabertura da Cesta do Povo – , disse que há coisas das quais não poderia falar. Repetiu a afirmativa quando questionado por Júnior Magalhães (DEM), mas recuou quando cobrado por Luiz de Deus: “Não tinha intenção de levantar suspeitas contra quem quer que seja”. Quanto aos gastos com publicidade e patrocínio de projetos culturais da Ebal, apontou três erros . O primeiro seria o volume de recursos aplicados nessas rubricas por uma empresa que estaria em vias de falência. O segundo é que anúncios e patrocínios não eram feitos diretamente pela Ebal e sim por agência de propaganda. O terceiro era o fato de a agência receber percentuais pela intermediação. Em 2006 a Ebal gastou R$ 17,8 milhões com publicidade e patrocínios de blocos de Carnaval).
Parlamentar e presidente da empresa esquentam o debate na Assembléia
O depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, não poupou políticos ligados ao antigo governo do Estado. No diagnóstico que fez para encontrar as causas dos prejuízos e dívidas da Ebal, Celestino apontou como problemas o excesso de pessoal e ingerências políticas na administração da empresa.
Afirmou também que, no passado, havia proteção a fornecedores indicados por políticos, que cobrariam da Ebal preços maiores que os cobrados para outras empresas de varejo. O deputado Ângelo Coronel (PR) visivelmente ficou desconfortável e demonstrou o desconforto quando fez uso da palavra, falando em um volume de voz acima do usado pelos colegas.
Coronel perguntou sobre a fase de transição entre governos e se os gastos com publicidade não seriam necessários pela competição entre lojas varejistas que atuam na Bahia. Também aproveitou o tempo para fazer sugestões para melhorar a gestão da empresa. O deputado republicano interrompeu as resposta de Celestino em diversos momentos, criando um debate.
Celestino não recuou. Ao contrário, avançou ainda mais nas suas críticas e focou Coronel nelas, afirmando que um dos grupos de fornecedores privilegiados na gestão passada foi o de produtores de café e citou um modelo de contrato da Ebal com esses fornecedores que privilegiava a compra de café de produtores regionais, o que encarecia o preço do produto vendido ao consumidor. O deputado já havia admitido em sessão anterior da CPI ter um filho que é sócio de uma empresa fornecedora da Ebal.
Esse parentesco, inclusive, levou o relator da comissão, José Neto (PT), a questionar seu impedimento de participação nos trabalhos da CPI. A questão foi levada à Procuradoria Jurídica da Assembléia, que até não respondeu ao requerimento. O presidente da Ebal falou que a Ebal não vai mais comprar café regionalizado, para privilegiar peço ao consumidor e margem de lucro da empresa. Coronel rebateu, fora dos microfones, que desse modo Celestino estaria comprando briga com os produtores de café.
Curiosidades de um depoimento
Revelações feitas por dirigente da Empresa Brasileira de Alimentos (Ebal), na Assembléia Legislativa, reforçam a tese dos que afirmam que há coisas que só acontecem na Bahia O presidente da Ebal, Reub Celestino, revelou ontem, duas curiosidades durante seu depoimento na Assembléia Legislativa.
A primeira foi a de que a lata da embalagem da Nossa Sopa é fornecida à Ebal pela Livraria Cultura (localizada na Pituba, em Salvador). Celestino foi irônico quando perguntado por que isso acontecia: “Só poderei explicar quando encontrar uma metalurgia que produza livros”.
A segunda curiosidade refere-se a uma suposta falta de comunicação entre as diversas instâncias do governo anterior.
Reub Celestino contou que a Ebal tem créditos a receber de R$ 4 milhões referentes a compras não pagas, pelo Credicesta, feitas por funcionários contratados pelo Regime de Direito Administrativo (Reda). É que esses funcionários tinham o direito ao financiamento de suas compras como servidores efetivos, mas quando eram demitidos permaneciam com o cartão e as secretarias estaduais da Administração e da Fazenda não comunicavam a demissão à Ebal.
19 de abril de 2007
pg 16
Foto: Apesar de evitar acusações concretas, o depoimento de Reub Celestino evidenciou a grave crise da Ebal.
Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br
Os primeiros nomes de responsáveis por supostas irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal, que administra as lojas da Cesta do Povo) foram tornados públicos ontem durante depoimento do presidente da empresa, Reub Celestino, à CPI criada pela Assembléia Legislativa para apurar denúncias de corrupção na empresa durante os governos do PFL (1991-2006). Celestino tentou se esquivar, mas acabou jogando os holofotes sobre quatro ex-funcionários da empresa: Geraldo Oliveira, ex-diretor administrativo, José Mário Galvão, ex-diretor de operações; Leôncio Cardoso Neto, ex-gerente de Engenharia e manutenção, e um homem de prenome René, que trabalhava no Centro de Distribuição da Ebal em Feira de Santana. Celestino também levantou suspeitas sobre contratos para fretes (transporte de mercadorias) e para os contratos de manutenção firmados com a Organização do Auxílio Fraterno (OAF), ONG que foi dirigida pelo padre Clodoveo Piaza, ex-secretário estadual de Combate à Pobreza.
A TARDE não localizou os ex-diretores da Ebal até o fechamento da edição. A OAF agendou para hoje entrevista com objetivo de se pronunciar. O novo governo afirma que encontrou a Ebal praticamente falida, com estoques zerados, dívidas que somam R$ 300 milhões e prejuízo acumulado de R$ 620 milhões. Os nomes surgiram a partir de um questionamento do deputado Yulo Oiticica (PT), que perguntou se os quatro eram funcionários da Ebal e que cargos ocupavam.Celestino disse que devolveu Geraldo Oliveira para o Desenbahia – órgão ao qual era oficialmente vinculado –, que José Mário Galvão foi demitido em dezembro, ainda na gestão passada, e recebeu R$ 400 mil de FGTS antes do início do novo governo, quando a equipe de transição já anunciava que a empresa estava atolada em cerca de R$ 300 milhões em dívidas. Celestino disse ainda que demitiu Leôncio Neto e René pelas “informações de que ambos não se enquadrariam no novo perfil de administração da empresa”.
DOSSIÊ – Os quatro nomes citados são ligados ao ex-presidente da empresa Omar Brito, que será convocado para depor na quarta-feira. Os quatro são acusados de enriquecimento ilícito em um dossiê anônimo. O texto foi entregue ao PT e à direção da Ebal no início deste ano. Celestino confirmou que as denúncias contra os ex-funcionários são anônimas, mas não relatou casos concretos. Mesma postura foi adotada por Yulo Oiticica. E Celestino seguiu na mesma linha – de levantar suspeitas mas sem se aprofundar em acusações – quando se referiu à OAF e aos contratos de frete. Disse que a OAF tinha um contrato de R$ 100 mil por mês em 2003 e que este contrato foi aditivado para R$ 240 mil nos anos seguintes.“Não entendo por que a OAF recebeu R$ 13 milhões por ano”, disse.
Segundo Celestino, a OAF tinha dois contratos com a Ebal. O primeiro primeiro era de manutenção e pequenas reformas nos prédios das lojas Cesta do Povo. O segundo era para a intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O presidente da Ebal voltou a falar em uso de técnicas de contabilidade para esconder despesas e prejuízos da empresa. Um dos artifícios envolveria a OAF, já que os recursos gastos nas obras foram parar na rubrica de “imobilização de patrimônio” (investimentos), mesmo com as obras sendo executadas em prédios alugados e não-pertencentes à empresa. Antes da OAF ser contratada, contrato semelhante foi firmado entre a Ebal e o Liceu de Artes e Ofícios.
Sobre os pagamentos de fretes – citado pelo governador Jaques Wagner (PT) como exemplo de irregularidades no discurso de reabertura da Cesta do Povo – , disse que há coisas das quais não poderia falar. Repetiu a afirmativa quando questionado por Júnior Magalhães (DEM), mas recuou quando cobrado por Luiz de Deus: “Não tinha intenção de levantar suspeitas contra quem quer que seja”. Quanto aos gastos com publicidade e patrocínio de projetos culturais da Ebal, apontou três erros . O primeiro seria o volume de recursos aplicados nessas rubricas por uma empresa que estaria em vias de falência. O segundo é que anúncios e patrocínios não eram feitos diretamente pela Ebal e sim por agência de propaganda. O terceiro era o fato de a agência receber percentuais pela intermediação. Em 2006 a Ebal gastou R$ 17,8 milhões com publicidade e patrocínios de blocos de Carnaval).
Parlamentar e presidente da empresa esquentam o debate na Assembléia
O depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, não poupou políticos ligados ao antigo governo do Estado. No diagnóstico que fez para encontrar as causas dos prejuízos e dívidas da Ebal, Celestino apontou como problemas o excesso de pessoal e ingerências políticas na administração da empresa.
Afirmou também que, no passado, havia proteção a fornecedores indicados por políticos, que cobrariam da Ebal preços maiores que os cobrados para outras empresas de varejo. O deputado Ângelo Coronel (PR) visivelmente ficou desconfortável e demonstrou o desconforto quando fez uso da palavra, falando em um volume de voz acima do usado pelos colegas.
Coronel perguntou sobre a fase de transição entre governos e se os gastos com publicidade não seriam necessários pela competição entre lojas varejistas que atuam na Bahia. Também aproveitou o tempo para fazer sugestões para melhorar a gestão da empresa. O deputado republicano interrompeu as resposta de Celestino em diversos momentos, criando um debate.
Celestino não recuou. Ao contrário, avançou ainda mais nas suas críticas e focou Coronel nelas, afirmando que um dos grupos de fornecedores privilegiados na gestão passada foi o de produtores de café e citou um modelo de contrato da Ebal com esses fornecedores que privilegiava a compra de café de produtores regionais, o que encarecia o preço do produto vendido ao consumidor. O deputado já havia admitido em sessão anterior da CPI ter um filho que é sócio de uma empresa fornecedora da Ebal.
Esse parentesco, inclusive, levou o relator da comissão, José Neto (PT), a questionar seu impedimento de participação nos trabalhos da CPI. A questão foi levada à Procuradoria Jurídica da Assembléia, que até não respondeu ao requerimento. O presidente da Ebal falou que a Ebal não vai mais comprar café regionalizado, para privilegiar peço ao consumidor e margem de lucro da empresa. Coronel rebateu, fora dos microfones, que desse modo Celestino estaria comprando briga com os produtores de café.
Curiosidades de um depoimento
Revelações feitas por dirigente da Empresa Brasileira de Alimentos (Ebal), na Assembléia Legislativa, reforçam a tese dos que afirmam que há coisas que só acontecem na Bahia O presidente da Ebal, Reub Celestino, revelou ontem, duas curiosidades durante seu depoimento na Assembléia Legislativa.
A primeira foi a de que a lata da embalagem da Nossa Sopa é fornecida à Ebal pela Livraria Cultura (localizada na Pituba, em Salvador). Celestino foi irônico quando perguntado por que isso acontecia: “Só poderei explicar quando encontrar uma metalurgia que produza livros”.
A segunda curiosidade refere-se a uma suposta falta de comunicação entre as diversas instâncias do governo anterior.
Reub Celestino contou que a Ebal tem créditos a receber de R$ 4 milhões referentes a compras não pagas, pelo Credicesta, feitas por funcionários contratados pelo Regime de Direito Administrativo (Reda). É que esses funcionários tinham o direito ao financiamento de suas compras como servidores efetivos, mas quando eram demitidos permaneciam com o cartão e as secretarias estaduais da Administração e da Fazenda não comunicavam a demissão à Ebal.
Marcadores:
Cesta do Povo,
CPI,
Ebal,
Reub Celestino
Cesta do Povo
Jornal Correio da Bahia, Poder, Informe da Bahia
19 de abril de 2007
pg 02
Causou mal-estar o depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, na Assembléia Legislativa. Além de acrescentar pouco, o dirigente falou expressões como “passivo oculto” ou passivo trabalhista em ação não transitada em julgado (em que cabe recurso). Foi difícil entender.
19 de abril de 2007
pg 02
Causou mal-estar o depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, na Assembléia Legislativa. Além de acrescentar pouco, o dirigente falou expressões como “passivo oculto” ou passivo trabalhista em ação não transitada em julgado (em que cabe recurso). Foi difícil entender.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Retrospectiva - janeiro de 2007
Prateleiras vazias revelam a decadência da Cesta do Povo
Cinco dias após a posse do Governador Jaques Wagner (PT), foi publicada, no Diário Oficial da Bahia, uma nota sobre a dívida de R$ 620 milhões encontrada no Estado com destaque para a crise da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que na avaliação do governador, "se fosse uma empresa privada, já estaria falida". Dois dias depois, o assunto ocupou a capa e duas páginas internas do A Tarde revelando, em contraponto com o faturamento de R$ 41 milhões mensais de anos atrás, a "falência" da empresa que acumulava débitos na ordem de R$ 300 milhões, prejuízo mensal de R$ 8 milhões, além dos estoques baixos nas lojas e centrais de distribuição.
Completa, a matéria abordou os dados parciais da auditoria da Ebal, o recadastramento dos fornecedores, a incerteza que pairava sobre eles e a reação dos consumidores diante das prateleiras vazias. A reportagem retratou também que, em meio a toda a crise, as cinco lojas do município de Feira de Santana eram exceções e estavam abastecidas e atendendo o público normalmente. Apesar da situação de crise, a matéria informou que a Cesta do Povo iria continuar aberta, ao menos até o governo decidir o que fazer com o programa.
No dia 09 de janeiro, o A Tarde publicou que Reub Celestino havia assumido o comando da Ebal com a missão de "salvar a Cesta do Povo". Segundo a matéria, Reub Celestino reconheceu que a situação da rede, considerada a 5ª maior do Brasil, era extremamente delicada. Passados 11 dias, uma nota informa que a Ebal iria restringir o cadastro dos fornecedores às indústrias para eliminar atravessadores e conseguir melhores preços na tentativa de manter as lojas funcionando.
No domingo (21/01), o assunto atravessou as fronteiras do Estado ao ser divulgado pelo jornal O Globo. Em matéria sobre a situação em que os governos dos estados do nordeste foram encontrados, o jornal cita que a situação da Bahia era grave, tendo a crise da Ebal como o caso mais dramático.
Na terça-feira (23/01) foi divulgada, no A Tarde, a notícia dos primeiros fechamentos de lojas da rede por tempo indeterminado e a precariedade das lojas de Vitória da Conquista que funcionavam sem, ao menos, os produtos da cesta básica nas prateleiras. Até o momento da publicação, apenas as duas lojas do município de Eunápolis haviam sido fechadas. Na manhã seguinte, o A Tarde leva aos baianos a notícia da demissão de 1.200 funcionários da Cesta do Povo e a proposta de revitalização da rede que abrange intervenções físicas nas lojas para transformá-las em centros populares de multi-funcionalidade com a integração de serviços de farmácia e unidades bancárias. A notícia divulgou também que algumas lojas poderão ser excluídas nesse processo.
Quanto aos fornecedores, o jornal informou que segundo o secretário da Indústria e Comércio, Rafael Amoedo, o pagamento do acordo feito pela gestão anterior só seria realizado após a conclusão da auditoria da Ebal, prevista para encerrar no prazo de 30 dias.
A matéria do dia 24 encerra com a informação da queima de estoque nas lojas da Cesta do Povo do Ogunjá e Rio Vermelho ocorrida no dia anterior. De acordo com a informação era uma estratégia da Ebal para vender os produtos das outras lojas concentrando-os nas unidades de maior fluxo de compradores o que evidenciou ainda mais a decadência da rede. No que se refere às demais lojas, a posição da presidência da Ebal foi de manter as portas abertas mesmo sem produtos e com poucos funcionários para que "a população visse como a Ebal foi entregue".
Cinco dias após a posse do Governador Jaques Wagner (PT), foi publicada, no Diário Oficial da Bahia, uma nota sobre a dívida de R$ 620 milhões encontrada no Estado com destaque para a crise da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que na avaliação do governador, "se fosse uma empresa privada, já estaria falida". Dois dias depois, o assunto ocupou a capa e duas páginas internas do A Tarde revelando, em contraponto com o faturamento de R$ 41 milhões mensais de anos atrás, a "falência" da empresa que acumulava débitos na ordem de R$ 300 milhões, prejuízo mensal de R$ 8 milhões, além dos estoques baixos nas lojas e centrais de distribuição.
Completa, a matéria abordou os dados parciais da auditoria da Ebal, o recadastramento dos fornecedores, a incerteza que pairava sobre eles e a reação dos consumidores diante das prateleiras vazias. A reportagem retratou também que, em meio a toda a crise, as cinco lojas do município de Feira de Santana eram exceções e estavam abastecidas e atendendo o público normalmente. Apesar da situação de crise, a matéria informou que a Cesta do Povo iria continuar aberta, ao menos até o governo decidir o que fazer com o programa.
No dia 09 de janeiro, o A Tarde publicou que Reub Celestino havia assumido o comando da Ebal com a missão de "salvar a Cesta do Povo". Segundo a matéria, Reub Celestino reconheceu que a situação da rede, considerada a 5ª maior do Brasil, era extremamente delicada. Passados 11 dias, uma nota informa que a Ebal iria restringir o cadastro dos fornecedores às indústrias para eliminar atravessadores e conseguir melhores preços na tentativa de manter as lojas funcionando.
No domingo (21/01), o assunto atravessou as fronteiras do Estado ao ser divulgado pelo jornal O Globo. Em matéria sobre a situação em que os governos dos estados do nordeste foram encontrados, o jornal cita que a situação da Bahia era grave, tendo a crise da Ebal como o caso mais dramático.
Na terça-feira (23/01) foi divulgada, no A Tarde, a notícia dos primeiros fechamentos de lojas da rede por tempo indeterminado e a precariedade das lojas de Vitória da Conquista que funcionavam sem, ao menos, os produtos da cesta básica nas prateleiras. Até o momento da publicação, apenas as duas lojas do município de Eunápolis haviam sido fechadas. Na manhã seguinte, o A Tarde leva aos baianos a notícia da demissão de 1.200 funcionários da Cesta do Povo e a proposta de revitalização da rede que abrange intervenções físicas nas lojas para transformá-las em centros populares de multi-funcionalidade com a integração de serviços de farmácia e unidades bancárias. A notícia divulgou também que algumas lojas poderão ser excluídas nesse processo.
Quanto aos fornecedores, o jornal informou que segundo o secretário da Indústria e Comércio, Rafael Amoedo, o pagamento do acordo feito pela gestão anterior só seria realizado após a conclusão da auditoria da Ebal, prevista para encerrar no prazo de 30 dias.
A matéria do dia 24 encerra com a informação da queima de estoque nas lojas da Cesta do Povo do Ogunjá e Rio Vermelho ocorrida no dia anterior. De acordo com a informação era uma estratégia da Ebal para vender os produtos das outras lojas concentrando-os nas unidades de maior fluxo de compradores o que evidenciou ainda mais a decadência da rede. No que se refere às demais lojas, a posição da presidência da Ebal foi de manter as portas abertas mesmo sem produtos e com poucos funcionários para que "a população visse como a Ebal foi entregue".
Marcadores:
Cesta do Povo,
Ebal,
Retrospectiva,
Reub Celestino
Assinar:
Postagens (Atom)