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terça-feira, 24 de abril de 2007

A indicação de Leôncio não é segredo

Site Bahia Notícias
24 de abril de 2007

Nos bastidores da Assembléia, deputados governistas não entendem o porquê de o ex-diretor de engenharia da Ebal, Leôncio Cardoso Neto, em recente reportagem de “A Tarde”, não revelar qual grupo político o indicou para o cargo na empresa. Neto - que é citado pela CPI da Ebal como um dos quatro ex-dirigentes suspeitos de serem beneficiários por supostas irregularidades administrativas ocorridas na empresa no governo passado - nem precisa ter tanta reserva assim, pois todos no Legislativo estadual sabem que sua indicação partiu do deputado federal Zé Rocha (ex-PFL e hoje acolhido no PR). Leôncio ficou na Ebal entre 1999 e 2006.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Retrospeciva – abril de 2007

As notícias sobre a crise na Empresa Baiana da Alimentos (Ebal) veiculadas na primeira quinzena de abril foram marcadas pelos primeiros atos da CPI da Ebal, instalada pela Assembléia Legislativa da Bahia em 20 de março, e pela reabertura, no dia 2 de abril, de 184 lojas da Cesta do Povo, após quase dois meses de suspensão de suas atividades pelo novo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

A dívida herdada do governo do PFL pelo governo petista, de R$ 300 milhões (sendo R$ 80 milhões só com fornecedores), segundo afirmou Jaques Wagner em seu discurso na reinauguração da Cesta do Povo, reproduzido no Diário Oficial do Estado da Bahia (DOE) do dia seguinte, a Ebal estava falida. De acordo com o governador, para viabilizar o resgate da rede, foi preciso um processo de renegociação de dívidas, reestruturação das instalações e elaboração de uma nova política de ação, sendo que a abertura de apenas uma parte da estrutura seria um teste para saber como será o fluxo da empresa.

Em entrevista ao jornal A Tarde de 8 de abril, ao fazer um balanço dos primeiros 100 dias de governo, Wagner considerou a reabertura da Cesta do Povo como uma das maiores vitórias de seu governo até então. Embora utilize a crise enfrentada pela empresa para atacar o governo anterior, afirmando que agora a Cesta do Povo é uma “Cesta do Povo sem roubo”, o governador disse que o programa está com uma nova cara, não sendo mais uma “bandeira política”.

Poucas investigações

Sobre as investigações da CPI da Ebal, o jornal A Tarde publicou, em 12 de abril, matéria do repórter Flávio Oliveira, na qual afirma que, depois de quatro sessões, a CPI pareceria “andar em círculos”, não tendo conseguido avançar em nenhum dos pontos das investigações, nem levantar novas informações sobre denúncias de corrupção e má gestão do programa Cesta do Povo. Após sua instalação, a CPI decidiu colher mais informações junto aos presidentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da Ebal, respectivamente Antonio Honorato e Reub Celestino.

Convidado para depor na sessão de 11 de abril da CPI, Celestino, do qual a comissão esperava obter informações sobre como a Ebal foi encontrada pelo atual governo, não pôde comparecer, por motivos de viagem de última hora, conforme publicou notícia do DOE de 12 de abril, sendo seu depoimento marcado para o dia 18.

Depoimento pode ser suspenso

Jornal A Tarde, Política
23 de abril de 2007
pg 12

Ainda não há garantia de que o ex-presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que gerencia as lojas Cesta do Povo, Omar Brito, irá ocorrer. Brito foi convidado a depor pela CPI aberta na Assembléia Legislativa para apurar denúncias de irregularidades administrativas na empresa pública. Na sexta-feira, Brito encaminhou à CPI pedido de adiamento de seu depoimento devido à viagem de seu advogado. O pedido será analisado hoje pelos membros da comissão.

sábado, 21 de abril de 2007

Depoimento

Jornal Tribuna da Bahia, Raio Laser
21 de abril de 2007

O ex-presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), Antonio de Britto, já foi convidado pela CPI da Ebal a depor na próxima quarta-feira, às 10 horas. O convite foi entregue a Britto, de acordo com o presidente CPI, deputado Arthur Maia, e c umpre decisão tomada na última reunião da comissão.

OAF: contrato sob suspeição

Jornal A Tarde, Política
21 de abril de 2007
pg 12

Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br

O presidente da CPI da Ebal na Assembléia Legislativa, Arthur Maia (PMDB), disse ontem que estranhou as declarações do diretorexecutivo da Organização do Auxílio Fraterno (OAF), Marcos Paiva, sobre o contrato da entidade com a Ebal. Paiva admitiu em entrevista a A TARDE que a OAF foi contratada pela Ebal para fazer manutenção predial nas lojas da Cesta do Povo, mas que não executava os serviços, repassando-os a empreiteiras cadastradas na sua rede e fornecedores sem fazer licitação pública, retendo 5% pela intermediação do serviço. O contrato entre a Ebal e a OAF foi de R$ 13 milhões no ano passado.

O presidente da CPI – lembrando que a OAF é uma ONG que cuida de crianças e jovens carentes – afirmou que a antiga direção da Ebal encontrou “uma forma atípica para auxiliar uma entidade social”.Afirmou que “todos os contratos fruto dessa parceria serão investigados pela CPI”.O valor do contrato entre Ebal e OAF chamou a atenção dos membros da CPI na última sessão do colegiado, quando o presidente da empresa, Reub Celestino, disse que não entendia por que o valor desse contrato chegou a R$ 13 milhões por ano. Nos bastidores da CPI, suspeita-se que nem toda obra contratada teria sido realizada, além de que poderia haver privilégio para determinadas empreiteiras, que não precisavam passar por licitação para prestar serviços à empresa pública.

O diretor-executivo da ONG, em entrevista a A TARDE na última quinta-feira, reconheceu os valores. Mas disse que os recursos eram para pagar material e mãodeobra utilizados nas reformas e também para a mão-de-obra usada no programa Nossa Sopa. Ao todo, em dezembro de 2006, a OAF empregava no contrato com a Ebal 220 pessoas, com salários que variavam entre R$ 350 e R$ 700. Segundo o diretor, a OAF também recolhia impostos e encargos relativos a direitos trabalhistas.Paiva disse também que a OAF não participou de nenhuma seleção pública antes de assinar contrato com a Ebal. E que foi a empresa quem procurou a OAF oferecendo a parceira. Antes da OAF, a manutenção predial das lojas da Cesta do Povo e das Ceasas era de responsabilidade do Liceu de Artes e Ofícios.

Paiva apresentou a A TARDE uma lista com 22 empresas para quem a OAF teria terceirizado os serviços de manutenção predial.Ficou de apresentar notas fiscais dos pagamentos pelos serviços e a lista de obras executadas, mas o levantamento dos documentos – pedidos na quinta-feira – não foi concluído até o fechamento desta edição. O diretor-executivo defendeu a legalidade do contrato e disse que a Ebal fazia o controle das obras e que a OAF é regularmente auditada pelo Ministério da Justiça, uma vez que recebe recursos federais para tocar seus projetos sociais. Na mesma entrevista, Paiva lembrou que a OAF vende produtos e serviços para angariar recursos para sustentar os programas sociais que executa, que no ano passado consumiram cerca de R$ 8 milhões.

DEFESA – O contrato entre Ebal e OAF também foi defendido pelo ex-diretor de engenharia da empresa Leôncio Cardoso Neto. “Do total de R$ 13 milhões, mais ou menos R$ 300 mil eram para pagar mão-de-obra. Isso tem de sermultiplicado por 12 meses. Os cerca de R$ 9 mil restantes eram divididos para as obras nas 425 lojas da Cesta do Povo, nos mercados e na sede da Ebal em Salvador.Divididos por 12 meses, vemos que não é um investimento alto”, afirmou. “Além disso, o setor de engenharia tem uma equipe de fiscalização que acompanhava a execução das obras. Se existe algum questionamento jurídico, cabe à assessoria jurídica, que redigiu o contrato, responder”.

Leôncio Cardoso Neto é um dos quatro citados por parlamentares petistas como suspeitos de ser beneficiários de supostas irregularidades administrativas ocorridas na Ebal no governo passado.Neto aproveitou a entrevista para responder aos ataques saídos do plenário da CPI. Afirmou que ficou surpreso com as acusações contra ele, feitas com base em dossiê anônimo. Argumentou que não retornou aos recados deixados pela reportagem desde a quarta-feira devido a problemas de saúde enfrentados por familiares.Ontem, Leôncio Neto confirmou que partiu da Ebal o convite para entregar à OAF o contrato de manutenção predial. “Antes, era o Liceu (de Artes e Ofício) que cobrava uma taxa de administração de 20%. A OAF cobrava 5%”, justificou.“A diretoria mandou procurar a OAF e eu cumpri com a determinação”, falou.

O ex-diretor de engenharia disse que as obras eram solicitadas e autorizadas pela presidência da empresa. Afirmou que assumiu o cargo na Ebal por indicação política, mas não quis revelar qual grupo o indicou. Mas salientou que era um grupo diferente do que indicou Omar Brito à presidência da Ebal. Ele também não identificou esse grupo. Leôncio permaneceu na Ebal entre 1999 e o ano passado.

Ex-diretor da Ebal nega ato irregular

Josemário Galvão Souza, ex-diretor de operações da Ebal, que também foi citado na CPI como suspeito de se beneficiar de supostas improbidades administrativas cometidas na empresa durante governos do PFL negou ontem qualquer ato de improbidade. Garantiu que continua com o patrimônio que possuía antes de pertencer à diretoria da empresa: um apartamento no edifício Mansão Villa Lobos, no Alto do Itaigara, em Salvador e uma fazenda no município de Itatim, de onde teria se deslocado para Serrinha com objetivo de telefonar ontem a A TARDE.

Funcionário de carreira da Ebal, onde trabalhou por 34 anos, Josemário também negou que tenha recebido R$ 400 mil de FGTS como afirmou o presidente da empresa, Reub Celestino, em depoimento à CPI na Assembléia Legislativa. “Queria ter recebido a metade do que eles disseram”, disse. O ex-diretor afirmou que, independente do valor, ele, como qualquer outro trabalhador, tem direito a FGTS.


Quando provocado para falar de outros assuntos, Josemário Galvão disse que não daria entrevista por não conhecer detalhes das acusações feitas contra ele. A direção da Ebal, questionada sobre as declarações de Josemário Galvão, refez os cálculos e confirmou que a empresa pagou ao ex-diretor R$ 91 mil de multa de 40% pela demissão injustificada do funcionário. O FGTS tinha valor de R$ 177 mil.

Na feitura do balanço, segundo diretores da empresa, pensouque R$ 177 mil era o valor da multa de 40%, o que levava à informação equivocada de que o FGTS teria chegado ao valor aproximado de R$ 400 mil.

Retrospectiva – março de 2007

Reabertura da Cesta do Povo e CPI dividem as atenções

O clima de expectativa norteou as matérias publicadas pelos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia na segunda quinzena do mês de março. Porém, motivos diferentes levaram a Ebal às paginas dos dois jornais. Enquanto o A tarde publicara no dia 20 a matéria "Cesta reabrirá em abril", o Tribuna da Bahia saiu com a manchete "CPI começa a apurar hoje o rombo da Ebal". A abertura da CPI foi fato noticioso também para o Folha Online do dia 21 de março.

A primeira matéria abordou o retorno da empresa de alimentos ao varejo no início de abril, com a reabertura de 185 lojas da Cesta do Povo em 120 municípios baianos. A matéria esclarece que as lojas foram fechadas para reestruturação da rede e que a reabertura será realizada em etapas. No desenrolar da notícia são apresentados dados relevantes, a exemplo da demissão de 600 funcionários e do custo para revitalização da rede, em torno de R$ 30 milhões, considerado pelo jornal como "pequeno, quando comparado ao passivo da empresa, que acumula algo em torno de R$ 300 milhões".

Já a segunda reportagem, do Tribuna da Bahia, informara que seria instalada na manhã daquele dia a Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar o rombo superior a R$ 300 milhões na Ebal. Na matéria, o deputado pefelista Gildasio Penedo revelou que a oposição estava tranqüila quanto à CPI e destacou que as dificuldades financeiras da Ebal são oriundas do fato de ser "uma empresa que não visa lucro, mas tem na preocupação social a principal característica de seu desempenho".

O andamento da CPI da Ebal só teve espaço no A Tarde no dia 28 de março, quando foi noticiado que um filho do deputado estadual Ângelo Coronel, membro da CPI, era fornecedor da empresa baiana de alimentos e que apesar de interpelado pelo deputado José Neto (PT), relator da comissão, quanto à coerência da permanência na CPI, Ângelo Coronel não deixou o cargo.

No último dia do mês, a notícia voltou a ser a reabertura das lojas Cesta do Povo na segunda-feira, 02 de abril. Também rica em dados, a reportagem do A Tarde recapturou a situação financeira da empresa e informou que, diferente do noticiado anteriormente, seriam reabertas 184 lojas em 136 municípios com o objetivo de vender os produtos a preços abaixo do mercado. Outra novidade apresentada foi a inserção da Farmácia Popular ao projeto da rede.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ex-diretor nega irregularidades

O diretor da Organização do Auxílio Fraterno, Marcos Paiva, afirma que não há irregularidade alguma na parceria feita entre a OAF e a Ebal

Jornal A Tarde, Política
20 de abril de 2007
pg 11

Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br

O ex-diretor administrativo da Ebal Geraldo Oliveira, contestou ontem as suspeitas lançadas contra ele na sessão de quarta-feira da CPI da Assembléia Legislativa que apura denúncias de improbidade administrativa na empresa, que administra as lojas Cesta do Povo.

Parlamentares petistas citaram seu nome e de outros três ex-funcionários da empresa – Josemário Galvão, Leôncio Cardoso Neto e René dos Santos Gonçalves – como possíveis beneficiários das supostas irregularidades apuradas pela Assembléia.

As denúncias feitas pelos petistas foram baseadas em dossiê anônimo enviado aos parlamentares, que esperam averiguar as acusações com o desenrolar da CPI.

Geraldo Oliveira entregou uma carta a A TARDE, na qual garante pôr à disposição da CPI seus sigilos telefônicos, bancários e fiscais, na certeza de que a abertura dos sigilos demonstrará sua “absoluta probidade”. Oliveira afirmou que, pelo que tomou de conhecimento da sessão, nenhuma acusação direta a ele foi feita pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, a quem conhece desde a década de 1970.

“Restou, então, a dúvida quanto a ter havido interpretação distorcida, proposital ou ocasionalmente, de suas palavras, no sentido de me prejudicar ou de agradar a pessoas ou grupos que não identifico”, escreveu Oliveira em sua carta. “Conhecendo, como conheço Dr.
Reub, sei que ele não faria insinuações ou acusações baseadas em dossiê anônimo, o que seria leviandade”, continuou.

Na sessão de quarta-feira, o presidente da Ebal, respondendo a um questionamento de Yulo Oiticica (PT), disse que fez retornar Oliveira ao Desenbahia e que Josemário havia sido demitido ainda na gestão anterior, recebendo R$400 mil a título de FGTS. E que demitiu os outros dois citados pelo deputado por informações de que eles não estariam adequados ao perfil da nova gestão da Ebal.

Questionado após a sessão, Celestino confirmou ter ouvido denúncias anônimas contra os quatro citados, mesma postura adotada por Oiticica, que citou os nomes mas não apresentou elementos para a suspeita. Oliveira recusouse a dar entrevista, apenas declarou que respeita os colegas com quem trabalhou e que não quer passar por bode expiatório pela crise da Ebal.

* Outros ex-diretores da Ebal que foram citados na CPI foram procurados por ATARDE. A reportagem deixou recados não retornados na casa de Josemário Galvão – sua empregada atendeu ao telefone. O telefone de René Gonçalves, que consta emsua ficha funcional, é o da Ebal de Feira de Santana, onde atendentes informaram apenas que ele residiria em Cruz das Almas e que não sabiam seu contato atual. O telefone de Leôncio Cardoso Neto – informado em sua ficha funcional – não respondia. A TARDE teve acesso a parte das fichas funcionais por volta das 17h30. A edição foi fechada às 20 horas.


OAF diz que contratos são regulares

O diretor-executivo da Organização do Auxílio Fraterno (OAF) Marcos Paiva disse, ontem, que o contrato entre a entidade e a Ebal teve a regularidade atestada pela assessoria jurídica da empresa.

Pelo contrato, a OAF seria responsável por obras de reforma e manutenção das lojas Cesta do Povo em todo o Estado e pela intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O contrato começou em 2003, no valor de R$ 100 mil por mês e, ao ser renovado anualmente, alcançou o valor de R$ 240 mil mensais (cerca de R$ 13 milhões no ano).

Paiva declarou que foi o ex-diretor de engenharia da Ebal, Leôncio Neto, quem procurou a OAF e ofereceu a parceria. De acordo com Paiva, a OAF vende produtos e serviços como forma de financiar programas de atendimento a jovens e crianças em situação de risco (que custaram, ano passado, R$ 8 milhões). A entidade, inclusive, tem contrato de manutenção predial com a Secretaria Municipal da Educação ( Smec) no valor, segundo ele, de R$ 450 mil mensais. Paiva admitiu que terceirizava os serviços de manutenção a outras empreiteiras, sem fazer licitação, ficando com 5% do recurso pago pela Ebal pela intermediação.

Até o fechamento da edição o diretor não enviou cópias de notas fiscais e relatórios de obras executadas. ( F.O.)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Balanço financeiro da Ebal aponta prejuízo de R$ 620 mi

Diário Oficial da Bahia, Agricultura
19 de abril de 2007
pg 5

Resultado inclui passivo oculto de R$ 200 mi, dos quais R$ 178 mi se referem a dissídios coletivos não cumpridos

O prejuízo total de R$ 620 milhões acumulado entre 1997 e 2006 pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas da Cesta do Povo, inclui um passivo oculto de R$ 200 milhões, dos quais R$ 178 milhões são referentes a dissídios coletivos não cumpridos. A Ebal não pagava os aumentos acordados com os sindicatos.

O resultado de um balanço financeiro completo, realizado pela nova administração, foi apresentado ontem pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, em sua explanação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembléia Legislativa para apurar a causa da crise financeira da empresa.

Leia matéria na íntegra no Diário Oficial da Bahia.

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Quatro acusados na CPI da EBAL

Jornal A Tarde, Política
19 de abril de 2007
pg 16

Foto: Apesar de evitar acusações concretas, o depoimento de Reub Celestino evidenciou a grave crise da Ebal.

Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br

Os primeiros nomes de responsáveis por supostas irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal, que administra as lojas da Cesta do Povo) foram tornados públicos ontem durante depoimento do presidente da empresa, Reub Celestino, à CPI criada pela Assembléia Legislativa para apurar denúncias de corrupção na empresa durante os governos do PFL (1991-2006). Celestino tentou se esquivar, mas acabou jogando os holofotes sobre quatro ex-funcionários da empresa: Geraldo Oliveira, ex-diretor administrativo, José Mário Galvão, ex-diretor de operações; Leôncio Cardoso Neto, ex-gerente de Engenharia e manutenção, e um homem de prenome René, que trabalhava no Centro de Distribuição da Ebal em Feira de Santana. Celestino também levantou suspeitas sobre contratos para fretes (transporte de mercadorias) e para os contratos de manutenção firmados com a Organização do Auxílio Fraterno (OAF), ONG que foi dirigida pelo padre Clodoveo Piaza, ex-secretário estadual de Combate à Pobreza.

A TARDE não localizou os ex-diretores da Ebal até o fechamento da edição. A OAF agendou para hoje entrevista com objetivo de se pronunciar. O novo governo afirma que encontrou a Ebal praticamente falida, com estoques zerados, dívidas que somam R$ 300 milhões e prejuízo acumulado de R$ 620 milhões. Os nomes surgiram a partir de um questionamento do deputado Yulo Oiticica (PT), que perguntou se os quatro eram funcionários da Ebal e que cargos ocupavam.Celestino disse que devolveu Geraldo Oliveira para o Desenbahia – órgão ao qual era oficialmente vinculado –, que José Mário Galvão foi demitido em dezembro, ainda na gestão passada, e recebeu R$ 400 mil de FGTS antes do início do novo governo, quando a equipe de transição já anunciava que a empresa estava atolada em cerca de R$ 300 milhões em dívidas. Celestino disse ainda que demitiu Leôncio Neto e René pelas “informações de que ambos não se enquadrariam no novo perfil de administração da empresa”.

DOSSIÊ – Os quatro nomes citados são ligados ao ex-presidente da empresa Omar Brito, que será convocado para depor na quarta-feira. Os quatro são acusados de enriquecimento ilícito em um dossiê anônimo. O texto foi entregue ao PT e à direção da Ebal no início deste ano. Celestino confirmou que as denúncias contra os ex-funcionários são anônimas, mas não relatou casos concretos. Mesma postura foi adotada por Yulo Oiticica. E Celestino seguiu na mesma linha – de levantar suspeitas mas sem se aprofundar em acusações – quando se referiu à OAF e aos contratos de frete. Disse que a OAF tinha um contrato de R$ 100 mil por mês em 2003 e que este contrato foi aditivado para R$ 240 mil nos anos seguintes.“Não entendo por que a OAF recebeu R$ 13 milhões por ano”, disse.

Segundo Celestino, a OAF tinha dois contratos com a Ebal. O primeiro primeiro era de manutenção e pequenas reformas nos prédios das lojas Cesta do Povo. O segundo era para a intermediação de mão-de-obra para o programa Nossa Sopa. O presidente da Ebal voltou a falar em uso de técnicas de contabilidade para esconder despesas e prejuízos da empresa. Um dos artifícios envolveria a OAF, já que os recursos gastos nas obras foram parar na rubrica de “imobilização de patrimônio” (investimentos), mesmo com as obras sendo executadas em prédios alugados e não-pertencentes à empresa. Antes da OAF ser contratada, contrato semelhante foi firmado entre a Ebal e o Liceu de Artes e Ofícios.

Sobre os pagamentos de fretes – citado pelo governador Jaques Wagner (PT) como exemplo de irregularidades no discurso de reabertura da Cesta do Povo – , disse que há coisas das quais não poderia falar. Repetiu a afirmativa quando questionado por Júnior Magalhães (DEM), mas recuou quando cobrado por Luiz de Deus: “Não tinha intenção de levantar suspeitas contra quem quer que seja”. Quanto aos gastos com publicidade e patrocínio de projetos culturais da Ebal, apontou três erros . O primeiro seria o volume de recursos aplicados nessas rubricas por uma empresa que estaria em vias de falência. O segundo é que anúncios e patrocínios não eram feitos diretamente pela Ebal e sim por agência de propaganda. O terceiro era o fato de a agência receber percentuais pela intermediação. Em 2006 a Ebal gastou R$ 17,8 milhões com publicidade e patrocínios de blocos de Carnaval).

Parlamentar e presidente da empresa esquentam o debate na Assembléia

O depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, não poupou políticos ligados ao antigo governo do Estado. No diagnóstico que fez para encontrar as causas dos prejuízos e dívidas da Ebal, Celestino apontou como problemas o excesso de pessoal e ingerências políticas na administração da empresa.

Afirmou também que, no passado, havia proteção a fornecedores indicados por políticos, que cobrariam da Ebal preços maiores que os cobrados para outras empresas de varejo. O deputado Ângelo Coronel (PR) visivelmente ficou desconfortável e demonstrou o desconforto quando fez uso da palavra, falando em um volume de voz acima do usado pelos colegas.

Coronel perguntou sobre a fase de transição entre governos e se os gastos com publicidade não seriam necessários pela competição entre lojas varejistas que atuam na Bahia. Também aproveitou o tempo para fazer sugestões para melhorar a gestão da empresa. O deputado republicano interrompeu as resposta de Celestino em diversos momentos, criando um debate.
Celestino não recuou. Ao contrário, avançou ainda mais nas suas críticas e focou Coronel nelas, afirmando que um dos grupos de fornecedores privilegiados na gestão passada foi o de produtores de café e citou um modelo de contrato da Ebal com esses fornecedores que privilegiava a compra de café de produtores regionais, o que encarecia o preço do produto vendido ao consumidor. O deputado já havia admitido em sessão anterior da CPI ter um filho que é sócio de uma empresa fornecedora da Ebal.

Esse parentesco, inclusive, levou o relator da comissão, José Neto (PT), a questionar seu impedimento de participação nos trabalhos da CPI. A questão foi levada à Procuradoria Jurídica da Assembléia, que até não respondeu ao requerimento. O presidente da Ebal falou que a Ebal não vai mais comprar café regionalizado, para privilegiar peço ao consumidor e margem de lucro da empresa. Coronel rebateu, fora dos microfones, que desse modo Celestino estaria comprando briga com os produtores de café.

Curiosidades de um depoimento

Revelações feitas por dirigente da Empresa Brasileira de Alimentos (Ebal), na Assembléia Legislativa, reforçam a tese dos que afirmam que há coisas que só acontecem na Bahia O presidente da Ebal, Reub Celestino, revelou ontem, duas curiosidades durante seu depoimento na Assembléia Legislativa.

A primeira foi a de que a lata da embalagem da Nossa Sopa é fornecida à Ebal pela Livraria Cultura (localizada na Pituba, em Salvador). Celestino foi irônico quando perguntado por que isso acontecia: “Só poderei explicar quando encontrar uma metalurgia que produza livros”.
A segunda curiosidade refere-se a uma suposta falta de comunicação entre as diversas instâncias do governo anterior.

Reub Celestino contou que a Ebal tem créditos a receber de R$ 4 milhões referentes a compras não pagas, pelo Credicesta, feitas por funcionários contratados pelo Regime de Direito Administrativo (Reda). É que esses funcionários tinham o direito ao financiamento de suas compras como servidores efetivos, mas quando eram demitidos permaneciam com o cartão e as secretarias estaduais da Administração e da Fazenda não comunicavam a demissão à Ebal.

Cesta do Povo

Jornal Correio da Bahia, Poder, Informe da Bahia
19 de abril de 2007
pg 02

Causou mal-estar o depoimento do presidente da Ebal, Reub Celestino, na Assembléia Legislativa. Além de acrescentar pouco, o dirigente falou expressões como “passivo oculto” ou passivo trabalhista em ação não transitada em julgado (em que cabe recurso). Foi difícil entender.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Dívidas da Ebal

Site Bahia Notícias
18 de abril de 2007

A Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), administradora das lojas Cesta do Povo, acumulou um prejuízo no total de R$ 620 milhões entre 1999 e 2006. Deste total, R$ 305 milhões se refere apenas aos prejuízos verificados no ano passado. Ao longo de sete anos, o Tesouro do Estado aportou na empresa, R$ 359 milhões, R$ 77 milhões só em 2006. De acordo com o presidente da empresa, Reub Celestino, os prejuízos foram causados “certamente” por "má gestão”.

Ainda hoje, a partir das 11h, Reub Celestino prestará depoimento na CPI criada pela Assembléia Legislativa para apurar possíveis casos de corrupção na empresa administrada pelo governo anterior, ou seja, pelo antigo PFL (hoje, Democratas), por 16 anos.

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quinta-feira, 12 de abril de 2007

CPI da Ebal não ouve o presidente Celestino

Maia renovou o convite para Reub Celestino

Diário Oficial da Bahia - Legislativo
12 de abril de 2006
pg. 03

Por causa de compromissos de última hora, o presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), Reub Celestino, não pôde comparecer, conforme agendado anteriormente, à sessão de ontem da CPI da Assembléia Legislativa que investiga supostas irregularidades nas finanças da empresa. Mas o colegiado, presidido pelo deputado Arthur Maia (PMDB), decidiu renovar o convite para que Reub Celestino possa trazer à AL dados sobre o quadro encontrado na Ebal. O peemedebista fez questão de esclarecer que este será o contato inicial, que deverá ocorrer outras vezes.

O presidente Arthur Maia decidiu também sugerir a seguinte proposta de encaminhamento. "Minha idéia é que as pessoas que compareçam aqui sejam convidadas, até porque todos são inocentes até prova em contrário. No entanto, caso alguém decida não aparecer ou coloque dificuldades, aí então o convocaremos".

Na reunião de ontem, os integrantes do colegiado aprovaram também, por unanimidade, uma série de requerimentos para dar ainda mais agilidade aos trabalhos, segundo destacou o presidente.

Nesta estratégia de acelerar o andamento dos trabalhos, a CPI solicitou ao Tribunal de Contas do Estado dois auditores para ajudar na análise do material técnico, no que foi prontamente atendida pelo presidente daquela corte, Antonio Honorato. Ontem mesmo, os técnicos Gilberto Brito e Wesley Franco já estavam à disposição da Comissão.

Investigação na Ebal anda em círculos a cada sessão


Jornal A Tarde - Política
12 de abril de 2007
pg 14

Repórter: Flávio Oliveira
foliveira@grupoatarde.com.br

A CPI da Ebal da Assembléia Legislativa completou ontem quatro sessões em que apenas anda em círculos. Após aproximadamente um mês de instalada – no último dia 20 – , a comissão ainda não conseguiu avançar em nenhum dos pontos de investigações propostos e levantar novas informações sobre denúncias de corrupção e má gestão do programa Cesta do Povo, do qual o governo Jaques Wagner (PT) afirma ter herdado da gestão anterior uma dívida de cerca de R$ 300 milhões, sendo R$ 80 milhões só com fornecedores. Neste meio tempo, após suspensão temporária do programa, o Executivo renegociou com credores e reabriu 184 lojas da Cesta do Povo em Salvador e em municípios do interior.

Após a instalação, a CPI fez uma sessão para definição dos métodos de investigação e deliberou realizar encontros com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Honorato, e com o presidente da Ebal, Reub Celestino.

Os dois encontros aconteceram e Celestino se comprometeu a depor como convidado à CPI ontem, mas viagem de última hora impossibilitou sua participação, que foi transferida para a próxima semana, no dia 18.

Do TCE, os deputados conseguiram relatórios de fiscalizações feitas na Ebal nos anos de 2002 e 2004 e que nunca foram julgados pelo plenário do órgão. O Tribunal também vai enviar técnicos para auxiliar os trabalhos da CPI. As cópias das fiscalizações foram encaminhadas esta semana e na sessão de ontem foi deliberado que a presidência fizesse fotocópias do material para que todos os deputados lessem os relatórios até a próxima sessão da CPI.

Segundo avaliação dos deputados que compõem a comissão, os trabalhos só vão avançar após o depoimento de Reub Celestino, quando vão poder ter um painel de como a Ebal foi encontrada pelo atual governo e quais as linhas de investigações que vão ser adotadas, uma vez que já foi aprovada a divisão em pelo menos quatro subcomissões.

Por enquanto, o momento mais tenso da CPI continua sendo o bateboca entre o relator José Neto (PT) e Ângelo Coronel (PR). Na segunda sessão da comissão, em 28 de março, o petista questionou a permanência de Coronel na comissão uma vez que seu filho é sócio de empresa fornecedora da Ebal. Coronel admitiu a situação mas disse não ter nada a temer com as investigações. José Neto pediu, então, um parecer à Procuradoria Jurídica da Assembléia. Na sessão de ontem o requerimento, por escrito, do petista foi votado e aprovado. A resposta da Procuradoria deve ser dada em 15 dias.